sábado, 15 de agosto de 2009

Crônica de uma vida real e imaginada - Dos Negos

– Firmeza, Nego Drama?!
– Beleza, mano! – responde, surpreendido, o negro de quase dois metros de altura, que circula com seu gingado e cabelos trançados pela Praça da República, em São Paulo (SP). O rápido diálogo entre dois manos das quebradas do centro paulistano dá novo ritmo às passadas rápidas de dois jovens que cruzam por eles. Eles continuam andando com pressa, mas agora tremem os corpos em gargalhadas sonoras e uma conversa entrecortada por lembranças de um tal Nego Jhow, que fez parte do cotidiano de ambos, quando cursaram a faculdade juntos.

Riam dessas coincidências, do quanto o tal cara era inconveniente e falavam da lenda que se tornou na universidade por circular por anos a fio pelos corredores procurando novas amizades, ou vítimas para suas conversas e investidas, dependendo da sua interpretação.

Tentavam imaginar quem era o Nego Drama e o que ele representava por essas bandas. Não quiseram ficar ali para conferir e nem ousaram ter a pretensão de perguntar isso. Na verdade, não pensaram nessa hipótese e, a essa altura, já alcançavam a Rua General Jardim e chegavam atrasados a mais uma aula de pós-graduação. Pena a Academia Brasileira de Jornalismo Literário ser pequena demais para abrigar um desses negos cheios de histórias e lendas.

Enquanto isso, Nego Drama, continuava exibindo seu gingado de passos firmes e malevolentes pela Praça da República. Já Jhow, prosseguia dividindo espaço com as capivaras, com seu colete ‘a prova de balas’, sua calça social, seu papo dúbio e sua intelectualidade forjada. De outro mundo mesmo. Aqui, Nego é drama, meu!

* Cena vivida por Maria Fernanda e Guilherme em abril de 2009 e recriada na imaginação do segundo em agosto do mesmo ano.

Entre Aspas: Nem toda loucura é genial, assim como nem toda lucidez é velha. Chico Buarque.

PS: Esse texto é o primeiro que reproduz histórias a partir de diálogos entrecortados ouvidas na rua, no metrô, na padaria... Uma rápida carona na conversa alheia para viajar em mundos desconhecidos. Prometido há algumas semanas, concretizado agora e - pelo menos para mim - com gosto de quero mais para os próximos dias.

2 comentários:

marina martins disse...

"Esse texto é o primeiro que reproduz histórias a partir de diálogos entrecortados ouvidas na rua, no metrô, na padaria... Uma rápida carona na conversa alheia para viajar em mundos desconhecidos"
Resumindo: Ouvindo conversa dos outros né guri???
Huahuahuahuahuaha...
Lindo...

Guilherme disse...

Tempos modernos, onde além de ouvir a conversa alheia, a gente transforma em texto e a torna pública, de uma forma que as pessoas desfrutam do papo alheio sem te condenar por isso. Boa tática, né?!